terça-feira, 19 de junho de 2007

Espelho, espelho meu (ou: Desespelho)


De tanto fragmentar-me
perdi-me em estilhaços.
De quantos cacos serei feita?
De quantas plumas de quantos palhaços?
A luz escorre pela rua estreita
refletida por mil pedaços
iluminando a poeira compacta
com a qual eu mais me desfaço.

(foto de: http://www.fotolog.com/anusky84)

3 comentários:

J.M. de Castro disse...

É, com quantos cacos se faz uma pessoa? Esse quebra cabeça é difícil de montar e não acaba nunca. Parece que quantos mais a gente pensa e envelhece, mais cacos aparecem, mais reflexos. Também ando procurando meus cacos e meus reflexos. Beijos

Maíra disse...

de cacos se fazem mosaicos, e pessoas

Borboleta azul disse...

Se somos fragmentados, contraditórios, divididos... como podemos nos irritar justamente pelas mesmas razões que nos fazem diversos e únicos em qualquer meio ou sociedade que nos encontramos? Helena, as diferenças nos enriquecem, tornam-nos pessoas mais "inteligentes", mais felizes ao compreender que somos únicos e ainda assim parte de um todo: somos humanos. Amizade é comunicação, é ouvir, ser ouvido e mais que isso é escutar, falar, tentar entender. Bjs, Cibele